16 Dia Mundial Sem Tabaco - Como o Cigarro quase Destruiu a minha Vida


  
Hoje é dia 31 de maio e é comemorado o Dia Mundial Sem Tabaco. Fiquei um pouco em dúvida se devia ou não escrever esse post, pois tenho certeza de que muitas leitoras aqui do blog devem ser fumantes. Mas gostaria de mostrar como o Cigarro quase destruiu a minha vida sem eu nunca sequer ter colocado um  na minha boca.
   
Para quem ainda não me conhece, me chamo Carla  e vou contar um pouco da minha história. Nasci no Rio de Janeiro, filha caçula de um casamento desfeito quando eu tinha apenas 7 anos. Embora a separação dos pais, seja algo que geralmente afeta de forma negativa as crianças, esse fato não modificou em nada a minha vida, parecia que as coisas estavam como elas deveriam ser. 
   
Eu tive muita sorte de ter uma mãe que seria capaz de tudo pra me defender, fui uma criança muito feliz e saudável. Minha mãe era uma divindade na minha cabecinha inocente, ela era guerreira e sempre vitoriosa. Essa minha visão de mulher guerreira não mudou, mas quanto a ser vitoriosa, não posso dizer o mesmo.
  
Em abril de 1997, minha mãe perdeu a sua mais difícil batalha, a batalha contra o fumo. Deixando dois filhos, meu irmão com 18 anos recém completos e eu que estava pra completar 12 anos. 
   
A minha mãe era fumante desde a adolescência, ela dizia que foi apresentada ao cigarro pelos amigos (belos amigos, heim!). Ela parou de fumar no periodo da gravidez e da amamentação, mas sempre retornava em seguida. Eu me acostumei em sentir o cheiro de cigarro nas mãos dela e observava o desespero e as mudanças de humor em cada tentativa de abandonar esse vício.
   
Quando eu completei 11 anos, era visível que a minha mãe já não estava bem de saúde. Ela tinha falta de ar, uma tosse que nunca passava e problemas graves de circulação.
     
Durante esse periodo eu vi minha mãe definhar, ela emagreceu muito e eu já não reconhecia naquela mulher a guerreira de antes. Um certo dia, minha mãe teve um principio de infarto, na época eu não entendia muito bem a gravidade dos fatos. Minha mãe foi socorrida e internada, ela ficou no hospital por poucos dias e rapidamente voltou pra casa. 
   
A vida estava voltando ao normal, minha mãe disse para nós que tinha parado de fumar e tratou logo de me ensinar a fazer as tarefas domésticas, porque caso ela passasse mal novamente, seria necessário que eu cuidasse dela e da casa. E eu me dediquei a isso com todas as minhas forças, ela me ensinou a lavar e passar as roupas do meu irmão, porque no dia seguinte era o primeiro dia em que meu irmão usaria roupa social no trabalho. Isso deixava a minha mãe muito orgulhosa e ela também estava feliz porque as minhas notas na escola estavam melhores do que nunca.
     
No dia seguinte a minha mãe não conseguiu acordar cedo, porque ela havia tomado um calmante na noite anterior e dormiu demais, e infelizmente não pode ver o meu irmão sair todo arrumadinho para o trabalho. Eu fui pra escola como sempre e assim que retornei voltei para a minha rotina de aprendizados domésticos. Parei por volta das 15hs, quando tive que sair para tirar cópias para o colégio. Quando voltei, minha mãe estava dormindo no quarto, então fui estudar até ela acordar. 
   
Pouco tempo depois uma amiga dela veio nos visitar e  pediu para acordá-la porque ela tinha vindo de longe e queria muito vê-la. Quando chegamos ao quarto, minha mãe estava em outra posição. A amiga da minha mãe pediu para que eu chamasse meu tio, eu não entendi muito bem, mas fui. Depois disseram que eu não podia entrar e que conversariam comigo depois.
    
Engraçado, que na minha cabeça em nenhum momento eu pensei o pior. Até que vieram me contar...
    
Eu ainda me lembro: "Carla, a sua mãe foi pro Céu". Um vazio sem fim tomou conta de mim, eu não sabia o que fazer, o que pensar, nada...
   
Parecia que tinham roubado a minha alma, e só passava pela minha cabeça coisas idiotas do tipo: a prova que eu tinha que fazer  no dia seguinte e o fato dela não ter visto o meu irmão ir trabalhar. 
   
Após o enterro, o pior foi voltar pra casa e pensar que eu ainda era uma criança e já teria que me tornar responsável. E veio também a decepção, quando achamos um maço de cigarros escondido na gaveta da minha mãe, ela mentiu pra nós...
    
E foi assim que eu cresci, me tornei dona de casa e meu irmão fornecia o sustento do nosso lar, somente ele e eu. Ele não teve oportunidade de aproveitar a juventude dele e eu não pude ser aquilo que a minha mãe tanto sonhava. Quando eu completei 14 anos a situação financeira apertou e eu tive que começar a trabalhar, consequentemente tive que estudar no periodo noturno em um colégio com o ensino muito inferior ao que eu estava acostumada.
   
Durante a minha adolescência eu também tive "amigos" que me ofereceram cigarro e eu nunca aceitei. É fato que quando alguém fuma além dele estar prejudicando a própria saúde, ele prejudica a saúde de quem está em volta.
   
Mas o meu alerta para os fumantes é justamente para que pensem nas pessoas que vocês amam. Você que é pai, você que é mãe, não seja egoísta! Pense nos seus filhos e não deixe que eles passem por situações como as que eu passei.
    
Eu sei que muitos dizem que tem gente por aí que tem mais de 80 anos e sempre fumou. Eu sei disso! Mas infelizmente nem todos tem a mesma sorte.
    
Daí vocês devem estar pensando que eu superei tudo isso e venci. Sim, eu venci! Mas trocaria qualquer mérito da minha vida atual para ter minha mãe perto de mim. E afirmo o Cigarro mudou e quase destruiu a minha vida!

16 comentários :

  1. Nossa! Carlinha, que história triste.

    Cigarro é uma droga mesmo.

    Bjão!

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  2. Sem palavras, sério!

    Sinto muito, eu fumei durante a minha adolescência. Mas de burrice mesmo, só quando eu bebia.

    Hj não fumo mais, mas putz!! É dificil!

    Bjão!

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  3. Oiie Carla,
    acho maravilhoso você ter forças para compartilhar com todos essa sua batalha, parabéns!

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  4. Coragem mesmo! ela é uma vencedora! tem pessoas q me orgulho muito de conhecer!

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  5. Sinto mto, mas é o cigarro é uma droga mesmo, p algum pode nao fazer mal mas para muitos faz o pior, eu tbm tive um caso parecido, mas p mim nao afetou tanto como p vc, pois foi meu avo e nem cheguei conhece-lo e foi por causa da bebida e do cigarro, 2 das piores coisas juntas, eu só nao tive a oportunidade de conhece-lo e tive um avo apenas, mas qm eh forte consegue superar e crescer na vida, mas é bom vc ter forcas e passar sua historia p frente e consentizar outras pessoas!

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  6. mais um dia sem fumar!motivo = texto

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  7. Obrigada pelos comentários meninas!

    Para escrever esse post foram mais lágrimas do que palavras, mas saiu!

    Bjão!!!

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  8. Carla,

    meu pai fumou até os 50 anos de vida, às vezes eram 2 maços por dia! Quando ele perdeu o irmão, mais novo e não fumante, parece que algo o tocou. Foi uma fase difícil, me lembro até hoje das crises de abstinência. Atualmente ele tem 61 anos, é um avô dedicado (4 netos que viu nascer e estão crescendo, sendo o mais velho com 11 anos), ainda trabalha como funcionário público e superou o vício, tenho certeza, por amor aos filhos!! O admiro demais por isso, pois sei o quanto é difícil se tratar de vícios (eu e o chocolate de todo dia rsrsrs).

    Um beijo grande e obrigada por partilhar.

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  9. Você realmente é uma guerreira e muitoooo maravilhosa.Eu perdi meu avô ano passado por causa de cigarro também.As pessoas tem que parar com esse vicio horrivel e desagradavel.O cigarro mata pouco a pouco..Te admiro mais e mais,mesmo nao conhecendo pessoalmente..beijos

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  10. Parece que é quase o que passo com meu pai, ele tem 77 anos, e fuma a mais de 50, agora infelismente está colhendo tudo o que plantou, não anda, não fala, é outra pessoa. E a familia toda está sofrendo junto, nesse exato momento ele está internado...é a isso que o cigarro leva!

    Parabéns pelo depoimento...

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  11. OI Carlota,
    eu não poderia nem imaginar! deve ter sido muito difícil falar assim sobre a sua vida!

    Você é uma guerreira, amiga.

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  12. Obrigada Laís!!! Bjão minha linda!!

    Ludmila, que Deus conforte seu coração nessa hora tão difícil!!!

    LadyCadaverius, não sabia do seu avô. Para os mais velhos é complicado demais largar esse mal. E é nosso dever como jovens extinguir essa droga que mata lentamente.

    Jeanne, muito bonita essa sua história de superação. Um exemplo a ser seguido.

    Compartilhar essa história aqui no blog, foi difícil. Mas o meu desejo era alertar pra que isso não acontecesse com mais ninguém.

    Bjão!!

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  13. Nossa,não imaginava que você ja tivesse passado por tudo isso!
    Você sim,é uma grande guerreira!
    Ja perdi avô e tio por causa de cigarro e bebida...
    E meus pais fumam.Ja tentaram parar,mas como você disse,com pessoas que fumam a bastante tempo,é quase impossível...
    Parabéns pela força!

    Bacci

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  14. Voce tbm e uma vencedora flor.
    Historia triste mas que voce foi uma vencedora.

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  15. Obrigada meus amores!

    Meu objetivo era ver se eu conseguia tocar o coração de alguém e largar esse vício.

    Bjão!!!

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  16. Eu lamento muito pela sua perda.

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